Workshop sobre contraste reuniu profissionais da área da saúde na Ecope

Olhos atentos, atenção redobrada e muita concentração. Foi assim que a turma
de médicos cardiologistas e profissionais da saúde receberam o workshop da
técnica da ecocardiografia contrastada com a utilização de meio contraste à
base de microbolhas, na terça-feira (2/07), na Escola de Ecografia de
Pernambuco (Ecope). O evento foi promovido pela Ecope em parceria com a
Bracco, empresa de contraste italiana, e a Dmax. O workshop representou
uma oportunidade de envolver aluno, técnica, prescritor do exame e paciente.

Além de proporcionar a troca de conhecimentos entre os profissionais, o evento
demonstrou na prática a utilização do contraste. “Aprimorar o conhecimento
técnico dos diversos recursos da ecocardiografia com uma grande referência
na área é sempre uma experiência única. Eventos como esse são estímulos
para que busquemos sempre o crescimento profissional”, contou o aluno Ecope
e médico cardiologista Caio Guedes.


Na ocasião, Fernando Poralla, doutor em medicina pela Universidade Saarland,
Alemanha, e diretor médico de assuntos regulatórios Bracco para América
Latina, demonstrou os aspectos técnicos e práticos do contraste à base de
bolhas. “Apesar desse método de diagnóstico por meio de contraste de
microbolha já ser utilizado tanto na América do Norte, quanto na Europa e na
Ásia há muitos anos, no Brasil ainda são poucos os ecocardiografistas que
utilizam o método. Então, é muito importante que cardiologistas saibam como
pedir, saibam o que o ecocardiografista aqui consegue executar e é importante
a clínica fazer esse tipo de curso para capacitar os alunos para que eles
saibam dar o diagnóstico”, destacou.

Ainda de acordo com Poralla, não existe restrição do produto no Brasil. “Está
aprovado pela Anvisa, tem registro para as indicações clínicas conforme consta
na bula do produto. É o único meio de contraste no Brasil, apesar de no
exterior terem outros”, acrescentou. “Importante saber que o produto é
restituído pelos planos de saúde dos pacientes. Já existe um código na

Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM),
registrado pela ANS e por isso os convênios pagam o exame para o médico
executar”, explicou.

No segundo momento do encontro, o chefe do setor de métodos gráficos do
Pronto Socorro Cardiológico de Pernambuco (Procape), Carlos Antônio
Silveira, explicou sobre a utilização do contraste ecocardiográfico de
microbolhas, seu valor aditivo no diagnóstico da cardiopatia isquêmica,
diferenciação de tumorações e definição de borda endocárdica. “A macrobolha
tem sido extremamente importante no diagnóstico do forame oval permeável
(Fop), além de persistência de cava, onde ajuda bastante a não dar falso
negativo. Usamos a macrobolha há 28 anos, já as microbolhas a mais ou
menos 18 anos”, mencionou Silveira. Para ele o workshop foi importante por
promover aos médicos a oportunidade de aprender a usar essa nova
tecnologia que no Brasil é muito limitada. “Eu por acaso faço microbolha esse
tempo todo, mas isso é um acaso. São coisas isoladas. É muito pouco o
número. A grande dificuldade é econômica, a gente não tem acesso à
microbolha. A macrobolha não, essa é soro fisiológico, soro glicosado e água.
A microbolha no Brasil é cara para o nosso serviço”, esclareceu Carlos
Antônio.


Na sequência, a parte prática do curso foi conduzida pelo ecocardiografisfa e
diretor acadêmico da Ecope, José Castillo, juntamente com monitores da instituição. Na
ocasião, os perfis eram: paciente do sexo masculino, 63 anos, com histórico de
infarto do miocárdio revascularizado com by-pass mamário-coronário e duas
safenas. O ecocardiografista evidenciou dilatação do ventrículo esquerdo,
discinesia antero-septo-apical com imagem de aneurisma apical com trombo no
seu interior. Estudo com contraste para esclarecer a imagem apical e para
verificar perfusão miocárdica.

Já a segunda paciente, tinha o seguinte perfil: sexo feminino, 51 anos, com
histórico de infarto do miocárdio, O ecocardiografista evidenciou discinesia
apical com imagem sugestiva de trombo. Presença de forame oval permeável
(Fop). Estudo com contraste para esclarecer a imagem apical e para verificar
direção do shunt interatrial.


Segundo a diretora administrativa da instituição, Antônia Sena, a intenção de
eventos como esse é aproximar o aluno e as novas tecnologias com o objetivo
de avançar ainda mais nos estudos realizados. “É pensando no aprimoramento
profissional dos nossos alunos que promovemos ações como essa”, pontuou.
Para a cardiologista e aluna Ecope Carla Pires, “Foi uma experiência
enriquecedora por ter visto algo que não vemos muito rotineiramente. Foi
oportunidade de conhecer mais sobre o método, que tem impacto importante
em muitos diagnósticos”, disse. Já o anestesista e intensivista Paulino Segundo
destaca que achou o workshop interessante. “Tinha ouvido falar do contraste.
Creio que deve ter mais aplicabilidades, e partir daí já vieram várias ideias na
cabeça de como usar no paciente”, citou.

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